Residência LFJ

Projeto de arquitetura: Contemplar a superfície espelhada da represa é uma espécie de meditação nesta casa de lazer, cuja inesperada geometria se esconde entre montanhas e estradas sinuosas no sul de Minas Gerais.

O desafio dos materiais foi equilibrar o despojamento de uma casa de campo com certa imponência da estrutura. A fachada leva textura limestone (Terracor). No jardim, sobressaem os guapuruvus, árvores de grande porte e crescimento rápido. O paisagismo é bem mais cheio na entrada, como um bosque, e bem mais limpo atrás para liberar a visão do lago.
É quase como ter o mar no quintal em pleno sul de Minas Gerais , onde montanhas contornam o horizonte. Esta porção de água se trata, na verdade, de um reservatório artificial famoso por ali: o lago do Funil, com cerca de 35km², surgido em 2002 por causa de uma usina hidrelétrica no curso do Rio Grande. Desde então, as pessoas dos arredores passaram a instalar seus refúgios de fim de semana nas margens da represa – caso dos proprietários e suas três filhas, moradores de Lavras, a 30 minutos do terreno de 8 mil m². “Com nossa Construtora iniciamos a estrutura da casa, mas não nos identificamos com ela”, conta a proprietária. Por isso, no meio do caminho chamaram os arquitetos José Ricardo Fois e Marcelo Alvarenga, de Belo Horizonte.
“Ficou claro que a lagoa deveria ser o elemento de destaque do projeto. Porém, no desenho original, quem chegava via primeiramente o mezanino, erguido em torno de um vão, com a sala de jantar no meio. Mudamos o acesso principal de lugar para transformar a vista, logo de cara, numa surpresa”. Essa ideia desencadeou mudanças em série, a começar por aquele vão central, com pé-direito de 6m. Aberto para o lago, ele é, agora, uma espécie de continuação da área externa. “O vazio se tornou um espaço meio cenográfico, com jardim interno. A mesa de jantar foi parar na lateral, mais reservada e menos pomposa”.
Outro acerto precisou ser feito na fachada, adequando os encaixes e a proporção dos volumes e das janelas na busca de mais simetria. Por fim, uma cozinha acolhedora seria perfeita para os donos. Afinal eles nunca vão lá com menos de três casais de amigos e um monte de crianças, que correm pelo pomar e entre as palmeiras e os ipês, plantados recentemente. “Esse ambiente ficou especial: o fogão a lenha, a madeira, a luz difusa na hora do pôr do sol… Ali a gente tem a impressão de que a casa sempre existiu desse jeito”. Não custa acreditar que sim. E, da mesma forma, permitir-se fazer de uma represa o próprio oceano.

Texto retirado de matéria sobre a Residência LF publicada na edição de setembro de 2014 da revista Arquitetura e Construção.

Local: Ijaci – MG

Data: 2012